Geopolítica · Concurso PRF
Atualidades — segurança pública
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Resumo: Atualidades — segurança pública
Essência. Quatro eixos: tendência da violência letal, onde e contra quem ela se concentra, custos e crime organizado/prisões. O Cebraspe cobra tendência e causa, e erra o item com generalizações ("restrito às capitais", "cada vez menor").
- Atlas da Violência (Ipea + FBSP): dados de saúde (SIM); mede homicídios.
- Atlas 2026: 42.590 homicídios em 2024, taxa 20,1/100 mil, menor desde 2014; maior taxa no Amapá, menor em SP; alerta de subnotificação (mortes indeterminadas +88,6%).
- Anuário (FBSP): dados das secretarias; mede MVI (homicídio, feminicídio, latrocínio, lesão seguida de morte, intervenção policial).
- Anuário 2026: 40.775 MVI em 2025, 19,1/100 mil, −8,2%; feminicídios +4% e mortes por intervenção policial +5,4%.
- Tendência: pico em 2017; queda desde 2018.
- Vítima típica: jovem, homem, negro, periferia, arma de fogo.
- Geografia: interiorização; Norte e Nordeste com as maiores taxas.
- Prisões (2025): ≈ 700 mil em celas, déficit de ≈ 200 mil vagas; superlotação atrapalha a ressocialização.
Exceções e distinções. Facções (PCC, CV) têm atuação transnacional que não diminuiu. Gasto privado com segurança (R$ 264 bi) foi mais que o dobro do público (R$ 101 bi) — certo.
Pegadinha Cebraspe. "O Atlas indicou aumento dos homicídios entre 2016 e 2021" → errado: caem desde 2018.
Lembre também: "violência restrita às capitais" é errado; lugares pobres e sem força política são mais vulneráveis (certo).
Visão geral
Os itens de "atualidades — segurança pública" giram em torno de quatro eixos: tendência da violência letal (Atlas da Violência — Ipea/FBSP; Anuário Brasileiro de Segurança Pública — FBSP), onde e contra quem ela se concentra, custos da violência e crime organizado/sistema prisional. O Cebraspe cobra a tendência e a relação causal, e costuma errar o item com generalizações ("restrito às capitais", "cada vez menor", "toda a sociedade").
Regra
Fontes oficiais que a banca cita
- Atlas da Violência (Ipea + Fórum Brasileiro de Segurança Pública): usa os registros de óbito do SIM/Ministério da Saúde; mede homicídios.
- Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP): usa dados das secretarias de segurança; mede Mortes Violentas Intencionais (MVI) = homicídio doloso (inclui feminicídio) + latrocínio + lesão corporal seguida de morte + mortes por intervenção policial.
Tendência (dados datados — cite o ano)
- Os homicídios subiram até 2017 (pico da série, com mais de 60 mil MVI/ano — comparação, na época, com mortes anuais da guerra na Síria) e caem desde 2018.
- Atlas da Violência 2026 (Ipea/FBSP, maio/2026): 42.590 homicídios em 2024, taxa de 20,1 por 100 mil — menor número desde 2014. Maior taxa no Amapá (45,7); menor em São Paulo (6,6); maiores taxas no Norte e Nordeste. Negros são 77% das vítimas; 19.801 jovens (15–29 anos) assassinados. Alerta: as mortes violentas por causa indeterminada cresceram 88,6% (3.755 → 7.083), o que sugere subnotificação.
- Anuário 2026 (FBSP, jul/2026): 40.775 MVI em 2025, taxa de 19,1 por 100 mil (primeira vez abaixo de 20 na série iniciada em 2012), queda de 8,2% sobre 2024. Na contramão: feminicídios subiram 4% (1.571 vítimas) e as mortes por intervenção policial subiram 5,4% (6.602, 16,2% das MVI).
- Perfil típico da vítima (Anuário 2025, dados de 2024): homem (91%), negro (79%), até 29 anos (≈ 48%), arma de fogo (≈ 74%).
- A queda não vale para tudo: violência contra a mulher, letalidade policial e crimes digitais (golpes, estelionato) cresceram nos anuários recentes.
Sistema prisional (Senappen, 1º sem./2025): cerca de 700 mil pessoas em celas físicas (≈ 940 mil contando prisão domiciliar/monitoramento), déficit de ≈ 200 mil vagas — terceira maior população prisional do mundo (atrás de EUA e China). A superlotação dificulta educação e trabalho do preso, que a Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984) prevê como instrumentos de ressocialização.
Pontos-chave
| Tema | O que é certo | Pegadinha típica |
|---|---|---|
| Tendência | queda desde 2018, após pico em 2017 | "aumento entre 2016 e 2021" |
| Geografia | interiorização: Norte, Nordeste e cidades médias; periferias pobres | "restrita às capitais e grandes centros" |
| Vítimas | jovens, homens, negros, moradores de áreas pobres | "atinge igualmente todos os grupos" |
| Crime organizado | facções nacionais (PCC, CV) com atuação transnacional (rotas de cocaína, fronteiras, portos) | "atuação global cada vez menor graças ao combate ao tráfico" |
| Custos | perda de vidas + prejuízo material (gastos públicos, privados, produtividade) | negar o custo econômico |
| Prisões | superlotação dificulta ressocialização | — |
Como o Cebraspe cobra
- "Superlotação dificulta programas educacionais e de trabalho para presos" → certo.
- "Atlas indicou aumento da taxa de homicídios entre 2016 e 2021 (narcotráfico e letalidade policial)" → errado: a taxa caiu a partir de 2018.
- "Lugares materialmente pobres e com fraca força política são mais vulneráveis a mortes violentas (tráfico ou ações policiais)" → certo.
- "Mortes violentas intencionais no Brasil em número similar à média anual da guerra na Síria" (prova de 2019) → certo para a época.
- Texto de O Globo (2018): segurança custa R$ 365 bi/ano; gasto público R$ 101 bi e privado R$ 264 bi → "privado foi mais que o dobro do público" → certo (2 × 101 = 202 < 264). Ler o número com calma.
- "Violência restrita às capitais e grandes centros, sem atingir o interior" → errado (interiorização).
- "Facções ampliam índices de violência e sensação de insegurança" → certo.
- "Atuação do crime organizado global é cada vez menor pelo êxito dos governos no combate ao tráfico" → errado.
- Detalhe que torna o item errado: o sentido da tendência (alta × queda), a palavra "restrito"/"exclusivamente" e o otimismo sobre o combate ao tráfico.
Revisão rápida
- Atlas da Violência = Ipea + FBSP, dados de saúde (homicídios).
- Anuário = FBSP, dados de segurança (MVI, inclui intervenção policial).
- Pico em 2017; queda desde 2018 (2024: 20,1 homicídios/100 mil — Atlas 2026; 2025: 19,1 MVI/100 mil — Anuário 2026).
- Violência se interiorizou: Norte e Nordeste com as maiores taxas.
- Vítima típica: jovem, homem, negro, periferia.
- Facções nacionais com atuação transnacional — não diminuiu.
- ≈ 700 mil presos em celas e déficit de ≈ 200 mil vagas (2025): superlotação atrapalha a ressocialização.
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Flashcards de Atualidades — segurança pública
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Qual a tendência dos homicídios no Brasil segundo o Atlas da Violência?
Alta até 2017 (pico da série, > 60 mil mortes violentas/ano — na época comparadas às da guerra na Síria) e queda desde 2018. Atlas 2025: 45.747 homicídios em 2023, taxa de 21,2/100 mil — menor em 11 anos. Pegadinha: "aumento da taxa entre 2016 e 2021" → errado.
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Onde e contra quem se concentra a violência letal no Brasil?
Em áreas pobres e de fraca força política (periferias), com interiorização: maiores taxas no Norte e Nordeste e em cidades médias. Vítima típica: homem, jovem, negro. Pegadinha: "violência restrita às capitais e grandes centros" → errado.
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Quais os custos da violência para o país (dado O Globo, 2018)?
Além do dano físico e emocional, prejuízo material: ≈ R$ 365 bi/ano (5,5% do PIB, dados 2012–2016); gasto público R$ 101 bi e privado R$ 264 bi — o privado é mais que o dobro do público (2 × 101 = 202 < 264). Pegadinha: conta feita às pressas.
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O crime organizado está em retração no Brasil e no mundo?
Não. Facções (PCC, CV) se nacionalizaram e atuam de forma transnacional (rotas da cocaína, fronteiras, portos), ampliando violência e sensação de insegurança. Pegadinha: "atuação global cada vez menor graças ao êxito no combate ao tráfico" → errado.
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Qual o principal problema do sistema prisional para a ressocialização?
Superlotação: ≈ 700 mil presos em celas e déficit de ≈ 200 mil vagas (Senappen, 2025); 3ª maior população prisional do mundo. Dificulta educação e trabalho do preso, previstos na LEP (Lei nº 7.210/1984).
Fontes
- Correio Braziliense — Atlas da Violência 2026 — homicídios recuam, mas podem estar subnotificados
- Agência Brasil — Mortes violentas caem 8,2% no país em 2025; feminicídios aumentam 4% (Anuário 2026)
- Ipea/FBSP — Atlas da Violência 2025 (ano-base 2023)
- Agência Gov — Brasil registrou 45.747 homicídios em 2023, menor taxa em 11 anos
- FBSP — Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 (dados de 2024)
- Agência Brasil — Mortes violentas intencionais caem 5,4% em 2024
- Senappen — Levantamento de Informações Penitenciárias (1º semestre de 2025)