Língua Portuguesa · Concurso PRF, PF, Polícia Penal, Detran

Questões de Coesão referencial — pronomes e retomadas

10 questões com gabarito comentado. Responda antes de revelar.

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  1. Questão 1 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    O diretor recebeu os relatórios na segunda-feira. Ele os analisou com cuidado e devolveu-os à equipe com sugestões de ajuste. Esta, por sua vez, refez os cálculos em dois dias e entregou a versão final antes do prazo.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No texto, o pronome “Esta”, no início do terceiro período, retoma:

    1. A)

      o diretor.

    2. B)

      os relatórios.

    3. C)

      a segunda-feira.

    4. D)

      a equipe.

    5. E)

      as sugestões de ajuste.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra D

    O demonstrativo “esta” retoma o termo feminino singular mais próximo que faz sentido como sujeito de “refez os cálculos”: “a equipe”. “O diretor” (A) e “os relatórios” (B) não concordam com o pronome. “Sugestões” (E) está no plural. “Segunda-feira” (C) não refaz cálculos.

  2. Questão 2 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    O acostamento existe para emergências, mas, nas rodovias brasileiras, transformou-se em faixa extra para quem não tolera esperar. Nos feriados, quando o fluxo de veículos dobra, motoristas impacientes avançam pela lateral da pista e criam um risco que ultrapassa o próprio veículo: obrigam ambulâncias a disputar espaço, surpreendem ciclistas e pedestres e, não raro, provocam colisões ao retornar à faixa de rolamento. A fiscalização eletrônica ajuda a coibir a prática, porém não a elimina. Especialistas lembram que a regra só se torna hábito quando o condutor entende que o acostamento livre pode ser, amanhã, o caminho do socorro que ele próprio vai esperar.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No trecho “A fiscalização eletrônica ajuda a coibir a prática, porém não a elimina”, o pronome “a”, em “não a elimina”, retoma:

    1. A)

      a fiscalização eletrônica.

    2. B)

      a prática.

    3. C)

      a faixa de rolamento.

    4. D)

      a pista.

    5. E)

      a regra.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra B

    O que a fiscalização não elimina é a prática (o uso indevido do acostamento): “a” é pronome oblíquo, objeto direto de “elimina”, e retoma “a prática”. Retomar “a fiscalização” (A) não faz sentido, porque ela é o sujeito, e quem elimina não se elimina. A faixa (C), a pista (D) e a regra (E) não são o que se tenta coibir.

  3. Questão 3 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    Dona Lurdes chegou ao balcão às sete e meia, meia hora antes de a repartição abrir. Trazia numa sacola plástica todos os papéis que juntara em quarenta anos de trabalho: carteiras, recibos, um contracheque amarelado. Queria a aposentadoria e não confiava em computadores. O servidor que a atendeu poderia ter dito que tudo se resolvia pelo aplicativo; preferiu sentar-se ao lado dela e abrir, um a um, os documentos. Saíram de lá, os dois, com o pedido protocolado e uma lição que nenhum treinamento ensina: atender bem é, antes de tudo, não ter pressa com quem esperou a vida inteira.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No último período do texto, a expressão “os dois”, em “Saíram de lá, os dois”, refere-se a:

    1. A)

      dois documentos retirados da sacola.

    2. B)

      carteiras e recibos.

    3. C)

      Dona Lurdes e o servidor.

    4. D)

      o servidor e a repartição.

    5. E)

      a sacola e os papéis.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra C

    “Os dois” retoma as duas personagens que estavam juntas no balcão e “saíram” com o pedido protocolado: Dona Lurdes e o servidor. Objetos (A, B, E) e a repartição (D) não “saem” com uma lição aprendida.

  4. Questão 4 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    Um levantamento divulgado nesta semana mostra que os atropelamentos em rodovias federais se concentram no período noturno e nos trechos urbanos, onde a pista corta bairros inteiros. Segundo os técnicos, a falta de passarelas e de iluminação obriga moradores a atravessar a via em pontos perigosos, muitas vezes carregando crianças ou compras. O estudo recomenda medidas simples, como faixas elevadas e redutores de velocidade, cujo custo é baixo diante das vidas que podem ser poupadas. Para os autores, a engenharia viária precisa enxergar quem caminha, e não apenas quem dirige.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No primeiro período do texto, o pronome relativo “onde” retoma:

    1. A)

      o levantamento.

    2. B)

      os trechos urbanos.

    3. C)

      as rodovias federais.

    4. D)

      o período noturno.

    5. E)

      os atropelamentos.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra B

    “Onde” retoma lugar físico e se refere ao antecedente imediato, “os trechos urbanos”: é nesses trechos que a pista corta bairros. “Período noturno” (D) é tempo, e não lugar, e pediria “em que” ou “quando”.

  5. Questão 5 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    Todo servidor que atende ao público conhece a cena: o cidadão chega irritado, depois de horas de espera, e despeja no primeiro rosto que encontra toda a frustração acumulada. Nessas horas, a tentação é responder no mesmo tom. Quem trabalha há mais tempo, porém, aprende que a firmeza não depende da rispidez. Ouvir até o fim, repetir em voz calma o que foi pedido e explicar com clareza o que pode e o que não pode ser feito costuma desarmar a raiva mais rápido do que qualquer regulamento lido em voz alta. Não se trata de aceitar desaforos, mas de lembrar que, do outro lado do balcão, há alguém que talvez tenha perdido um dia de trabalho para estar ali.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No último período do texto, a expressão “do outro lado do balcão” refere-se:

    1. A)

      ao servidor que atende.

    2. B)

      ao cidadão que procura o atendimento.

    3. C)

      ao regulamento do órgão.

    4. D)

      à chefia imediata.

    5. E)

      aos colegas de trabalho.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra B

    Na cena de atendimento, o servidor está de um lado do balcão e o cidadão do outro. O texto lembra que ali “há alguém que talvez tenha perdido um dia de trabalho para estar ali”: o usuário do serviço.

  6. Questão 6 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    Na estrada que liga a cidade ao litoral, há um posto da polícia rodoviária que conheço desde menino. Meu pai parava ali para perguntar sobre a serra, e o agente, sempre o mesmo, respondia sem pressa, apontando no mapa os trechos de neblina. Hoje os celulares avisam tudo, e ninguém mais desce do carro para perguntar. Ainda assim, quando passo por lá, reduzo a velocidade por hábito, como quem cumprimenta um velho conhecido que já não está.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No segundo período do texto, o advérbio “ali” retoma:

    1. A)

      a cidade.

    2. B)

      o litoral.

    3. C)

      o posto da polícia rodoviária.

    4. D)

      a serra.

    5. E)

      o mapa.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra C

    “Meu pai parava ali” refere-se ao lugar mencionado antes: o posto, onde o pai perguntava sobre a serra. A serra (D) era o assunto da pergunta, e não o local da parada.

  7. Questão 7 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    Durante anos, o trecho da serra foi conhecido como o mais perigoso da região. As curvas fechadas, a neblina frequente e o acostamento estreito somavam-se à pressa de quem queria vencer a subida antes do anoitecer. Nos últimos tempos, porém, os registros de acidentes caíram de forma expressiva. Não houve obra de duplicação nem mudança no traçado: o que mudou foi a combinação de sinalização mais visível, radares nos pontos críticos e fiscalização frequente nos fins de semana. Os motoristas que antes reclamavam das abordagens passaram a reconhecer que a viagem ficou mais tranquila. O caso sugere que nem toda solução para a segurança viária depende de grandes investimentos em engenharia; às vezes, o resultado vem de medidas simples, aplicadas com constância.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No texto, a expressão “O caso”, no início do último período, retoma:

    1. A)

      a experiência de queda dos acidentes no trecho da serra, relatada nos períodos anteriores.

    2. B)

      a reclamação dos motoristas sobre as abordagens.

    3. C)

      a ausência de obra de duplicação.

    4. D)

      a pressa de quem queria vencer a subida.

    5. E)

      o anoitecer na serra.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra A

    “O caso” é um encapsulador: resume todo o relato anterior (o trecho perigoso que, com medidas simples, passou a ter menos acidentes) para dele tirar a conclusão. As demais alternativas apontam apenas detalhes do relato (B, C, D) ou elemento acessório (E), que não sustentam a generalização feita no último período.

  8. Questão 8 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha

    Quem entra hoje em uma repartição pública raramente vê as pilhas de processos que, há algumas décadas, ocupavam mesas e corredores. A digitalização mudou a paisagem, mas não eliminou o trabalho de organizar. Um documento eletrônico mal classificado se perde com a mesma facilidade de uma folha esquecida em uma gaveta — com a diferença de que ninguém tropeça nele. Por isso, os arquivistas insistem em que tecnologia sem método apenas troca a desordem visível pela invisível. Sistemas modernos ajudam a registrar, localizar e controlar prazos, desde que alguém tenha decidido antes o que guardar, por quanto tempo e por quê. A pergunta, portanto, continua a mesma de sempre: não é onde guardar, mas como encontrar.

    Texto autoral para fins didáticos.

    No trecho “com a diferença de que ninguém tropeça nele”, o pronome “nele” retoma:

    1. A)

      “Um documento eletrônico mal classificado”.

    2. B)

      “uma folha esquecida”.

    3. C)

      “uma gaveta”.

    4. D)

      “o trabalho de organizar”.

    5. E)

      “a paisagem”.

    Revelar gabarito

    Gabarito: letra A

    “Nele” (em + ele) retoma, no masculino singular, o documento eletrônico mal classificado: a diferença em relação ao papel é que ninguém “tropeça” no arquivo digital perdido, isto é, a desordem fica invisível. “Folha” (B), “gaveta” (C) e “paisagem” (E) são femininos; “o trabalho de organizar” (D) não é o que se perde.

  9. Questão 9 · Agente Administrativo PF · CEBRASPE 2025 · Certo ou Errado

    Imaginar é um dom comum a todos os seres humanos — e também uma daquelas características que nos diferenciam dos outros animais, incapazes de atingir esse nível de abstração. Apesar disso, a criatividade parece a muitos de nós algo inacessível, difícil de cultivar, restrita apenas àqueles que já nasceram com aptidões artísticas ou inventivas.

    Isso não é verdade. Nas últimas décadas, a psicologia e a neurociência começaram a desvendar o processo de surgimento de ideias originais no nosso cérebro — e descobriram estratégias que qualquer um pode adotar para aperfeiçoar a própria capacidade criativa, mesmo que você se considere desprovido desse traquejo.

    O que se pode chamar de estudo científico da criatividade começou só na década de 1950, quando o psicólogo americano J. P. Guilford publicou as bases desse campo de pesquisa. Ele se interessou em responder uma pergunta essencial: de onde vêm as ideias criativas?

    Para isso, Guilford propôs que o raciocínio humano se divide em dois tipos: o convergente e o divergente. Ambos podem ser usados para resolver problemas ou chegar a conclusões após uma análise, mas funcionam de maneira bem diferentes.

    O pensamento convergente é aquele que busca uma única solução para um impasse específico. Ele segue uma ordem estruturada, avançando e refinando uma mesma ideia em vez de experimentar várias resoluções diferentes. Pense, por exemplo, numa questão de uma prova de matemática. Pode até haver várias maneiras de se chegar ao resultado, mas o mais fácil (e comum) é escolher um único método e seguir com ele até o final.

    Já o pensamento divergente é mais fluido e caótico: ele explora diversas ideias diferentes ao mesmo tempo, muitas vezes misturando as soluções e conectando-as de maneiras pouco óbvias. É o raciocínio típico dos brainstormings, por exemplo. Segundo Guilford, a criatividade é um produto direto da nossa capacidade de pensar de forma divergente. Ao fazer conexões entre coisas aparentemente desconexas, criamos ideias inéditas. Até hoje, essa explicação é a mais aceita pelos cientistas.

    Bruno Carbinatto. Penso, logo crio. In: Revista Superinteressante, jan./2025. Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

    No quinto parágrafo, os termos “aquele” (primeiro período) e “Ele” (segundo período) têm o mesmo referente.

    Revelar gabarito

    Gabarito: Certo

    Certo. No quinto parágrafo, "aquele" ("O pensamento convergente é aquele que busca...") e "Ele" ("Ele segue uma ordem estruturada...") retomam o mesmo termo: "O pensamento convergente".

  10. Questão 10 · Agente Administrativo PF · CEBRASPE 2025 · Certo ou Errado

    Imaginar é um dom comum a todos os seres humanos — e também uma daquelas características que nos diferenciam dos outros animais, incapazes de atingir esse nível de abstração. Apesar disso, a criatividade parece a muitos de nós algo inacessível, difícil de cultivar, restrita apenas àqueles que já nasceram com aptidões artísticas ou inventivas.

    Isso não é verdade. Nas últimas décadas, a psicologia e a neurociência começaram a desvendar o processo de surgimento de ideias originais no nosso cérebro — e descobriram estratégias que qualquer um pode adotar para aperfeiçoar a própria capacidade criativa, mesmo que você se considere desprovido desse traquejo.

    O que se pode chamar de estudo científico da criatividade começou só na década de 1950, quando o psicólogo americano J. P. Guilford publicou as bases desse campo de pesquisa. Ele se interessou em responder uma pergunta essencial: de onde vêm as ideias criativas?

    Para isso, Guilford propôs que o raciocínio humano se divide em dois tipos: o convergente e o divergente. Ambos podem ser usados para resolver problemas ou chegar a conclusões após uma análise, mas funcionam de maneira bem diferentes.

    O pensamento convergente é aquele que busca uma única solução para um impasse específico. Ele segue uma ordem estruturada, avançando e refinando uma mesma ideia em vez de experimentar várias resoluções diferentes. Pense, por exemplo, numa questão de uma prova de matemática. Pode até haver várias maneiras de se chegar ao resultado, mas o mais fácil (e comum) é escolher um único método e seguir com ele até o final.

    Já o pensamento divergente é mais fluido e caótico: ele explora diversas ideias diferentes ao mesmo tempo, muitas vezes misturando as soluções e conectando-as de maneiras pouco óbvias. É o raciocínio típico dos brainstormings, por exemplo. Segundo Guilford, a criatividade é um produto direto da nossa capacidade de pensar de forma divergente. Ao fazer conexões entre coisas aparentemente desconexas, criamos ideias inéditas. Até hoje, essa explicação é a mais aceita pelos cientistas.

    Bruno Carbinatto. Penso, logo crio. In: Revista Superinteressante, jan./2025. Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

    No primeiro período do texto, o termo “incapazes” refere-se ao substantivo “animais”.

    Revelar gabarito

    Gabarito: Certo

    Certo. "incapazes de atingir esse nível de abstração" caracteriza "os outros animais": o adjetivo concorda com "animais" (masculino plural) e é a eles que a incapacidade é atribuída.

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