Língua Portuguesa · Concurso PRF, PF, Polícia Penal, Detran
Questões de Figuras de linguagem
5 questões com gabarito comentado. Responda antes de revelar.
Revise antes: resumo completo de Figuras de linguagemNa frase “A cidade dormia tranquila sob a chuva”, ocorre a figura de linguagem denominada:
- A)
metonímia.
- B)
hipérbole.
- C)
personificação.
- D)
antítese.
- E)
eufemismo.
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Gabarito: letra C
Atribuir a um ser inanimado (a cidade) uma ação humana (dormir tranquila) é personificação, ou prosopopeia. Haveria metonímia (A) se “cidade” substituísse “moradores” sem a imagem do sono. Hipérbole (B) é exagero, antítese (D) é oposição de ideias, e eufemismo (E) suaviza uma expressão.
- A)
Dona Lurdes chegou ao balcão às sete e meia, meia hora antes de a repartição abrir. Trazia numa sacola plástica todos os papéis que juntara em quarenta anos de trabalho: carteiras, recibos, um contracheque amarelado. Queria a aposentadoria e não confiava em computadores. O servidor que a atendeu poderia ter dito que tudo se resolvia pelo aplicativo; preferiu sentar-se ao lado dela e abrir, um a um, os documentos. Saíram de lá, os dois, com o pedido protocolado e uma lição que nenhum treinamento ensina: atender bem é, antes de tudo, não ter pressa com quem esperou a vida inteira.
Texto autoral para fins didáticos.
No trecho “não ter pressa com quem esperou a vida inteira”, a expressão “esperou a vida inteira” é empregada em sentido:
- A)
literal, indicando que Dona Lurdes ficou na fila da repartição desde a juventude.
- B)
literal, referindo-se à meia hora de espera antes da abertura.
- C)
figurado, sugerindo que Dona Lurdes nunca trabalhou.
- D)
literal, indicando o tempo de espera pela resposta do aplicativo.
- E)
figurado, sugerindo a longa trajetória de trabalho de Dona Lurdes até chegar à aposentadoria.
Revelar gabarito
Gabarito: letra E
A expressão é hiperbólica e figurada: remete aos “quarenta anos de trabalho” que antecedem o pedido de aposentadoria. Ela não esperou literalmente a vida toda na repartição (A), e a meia hora (B) é pequena demais para a expressão. Dona Lurdes trabalhou, o que exclui (C), e ela não usou o aplicativo (D).
- A)
Há quem veja na tecnologia a solução definitiva para a burocracia. Formulários eletrônicos, assinaturas digitais e atendimentos por aplicativo de fato encurtaram filas e reduziram o papel nas repartições. Seria ingênuo, contudo, supor que a máquina resolve sozinha o que é, no fundo, um problema de organização. Um processo mal desenhado continua lento, ainda que tramite em tela; uma exigência inútil continua inútil, mesmo quando pedida por e-mail. Digitalizar o atraso é apenas torná-lo mais rápido de reproduzir. A verdadeira modernização começa antes do computador: na pergunta, feita com honestidade, sobre por que cada etapa existe.
Texto autoral para fins didáticos.
No período “Digitalizar o atraso é apenas torná-lo mais rápido de reproduzir”, o autor:
- A)
elogia a rapidez dos sistemas eletrônicos.
- B)
defende que o atraso seja digitalizado o quanto antes.
- C)
afirma, em sentido literal, que os computadores são lentos.
- D)
sugere que a digitalização elimina o atraso.
- E)
critica, com ironia, a transposição de processos ruins para o meio digital, que apenas espalha a ineficiência com mais velocidade.
Revelar gabarito
Gabarito: letra E
A frase usa a ironia: a “vantagem” da rapidez se torna crítica, porque o que se reproduz mais rápido é o próprio atraso. Isso retoma a ideia de que “um processo mal desenhado continua lento, ainda que tramite em tela”. As leituras de elogio ou defesa (A, B, D) invertem o sentido, e (C) o toma ao pé da letra.
- A)
Na estrada que liga a cidade ao litoral, há um posto da polícia rodoviária que conheço desde menino. Meu pai parava ali para perguntar sobre a serra, e o agente, sempre o mesmo, respondia sem pressa, apontando no mapa os trechos de neblina. Hoje os celulares avisam tudo, e ninguém mais desce do carro para perguntar. Ainda assim, quando passo por lá, reduzo a velocidade por hábito, como quem cumprimenta um velho conhecido que já não está.
Texto autoral para fins didáticos.
No trecho “como quem cumprimenta um velho conhecido que já não está”, há a figura de linguagem denominada:
- A)
hipérbole.
- B)
eufemismo.
- C)
antítese.
- D)
metonímia.
- E)
comparação.
Revelar gabarito
Gabarito: letra E
O conectivo “como” aproxima explicitamente dois termos (reduzir a velocidade e cumprimentar alguém): é comparação, ou símile. Na metáfora, a aproximação é feita sem conectivo. Não há exagero (A), suavização (B) nem oposição de ideias (C).
- A)
Quem entra hoje em uma repartição pública raramente vê as pilhas de processos que, há algumas décadas, ocupavam mesas e corredores. A digitalização mudou a paisagem, mas não eliminou o trabalho de organizar. Um documento eletrônico mal classificado se perde com a mesma facilidade de uma folha esquecida em uma gaveta — com a diferença de que ninguém tropeça nele. Por isso, os arquivistas insistem em que tecnologia sem método apenas troca a desordem visível pela invisível. Sistemas modernos ajudam a registrar, localizar e controlar prazos, desde que alguém tenha decidido antes o que guardar, por quanto tempo e por quê. A pergunta, portanto, continua a mesma de sempre: não é onde guardar, mas como encontrar.
Texto autoral para fins didáticos.
No trecho “tecnologia sem método apenas troca a desordem visível pela invisível”, a oposição entre “visível” e “invisível” constitui:
- A)
hipérbole.
- B)
metonímia.
- C)
eufemismo.
- D)
antítese.
- E)
pleonasmo.
Revelar gabarito
Gabarito: letra D
A aproximação de termos de sentido oposto (visível × invisível) é antítese. Hipérbole é exagero (A); metonímia, troca de um termo por outro com relação de proximidade (B); eufemismo, suavização (C); pleonasmo, redundância (E).
- A)