Língua Portuguesa · Concurso PRF, PF, Polícia Penal, Detran
Figuras de linguagem
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Cai no edital de: PRF, Agente Administrativo PRF, Agente PF, Escrivão PF, Papiloscopista PF, Agente Administrativo PF, Polícia Penal Federal, Detran, Detran-PR, Detran-DF
Resumo: Figuras de linguagem
Essência. Figura de linguagem é o uso expressivo, em geral conotativo, de palavras, construções ou sons. O Cebraspe atribui um nome de figura ao trecho; o item erra quando o nome não corresponde ao mecanismo.
- Comparação: semelhança com conectivo (como, tal qual). Metáfora: semelhança sem conectivo (A é B). Ex.: "Ele é forte como um touro" × "Ele é um touro".
- Metonímia: troca por contiguidade real: autor/obra (Li Machado), continente/conteúdo (bebeu um copo), parte/todo, marca/produto.
- Hipérbole exige exagero; eufemismo suaviza; ironia diz o contrário. Ex.: "Já te liguei mil vezes" (hipérbole); "ele nos deixou" = morreu (eufemismo).
- Antítese: ideias opostas lado a lado ("rir e chorar"). Paradoxo: opostas no mesmo referente (o que aconteceu ainda está por vir).
- Anáfora (figura): repetição no início de versos ou frases. Ex.: "É pau, é pedra, é o fim do caminho".
- Prosopopeia: traços humanos a seres inanimados. Ex.: "A rodovia engoliu o caminhão".
Exceções e distinções. Qualificar algo por traço de outra coisa (humanidade zumbi) é metáfora, não metonímia. Nome próprio não é figura. Anáfora como figura ≠ anáfora da coesão (retomada por pronome). Catacrese é metáfora cristalizada (pé da mesa).
Pegadinha Cebraspe. "Já fui barco, fui navio é metonímia" → errado: é metáfora (semelhança, não contiguidade).
Lembre também: sinestesia, gradação, pleonasmo, hipérbato, anacoluto, silepse, polissíndeto × assíndeto, quiasmo, aliteração, assonância, onomatopeia, perífrase e antonomásia.
Visão geral
Figura de linguagem é o uso expressivo (em geral conotativo) de palavras, construções ou sons. O Cebraspe dá um trecho e um nome de figura: o item costuma estar errado porque o nome não corresponde ao mecanismo (metonímia no lugar de metáfora; comparação sem conectivo; hipérbole onde não há exagero).
Regra
| Grupo | Figura | Mecanismo | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Palavra | Comparação | semelhança explícita, com conectivo (como, tal qual, feito, que nem, parece) | "Olhos como estrelas" |
| Palavra | Metáfora | semelhança implícita, sem conectivo (A é B) | "A vida é um soco no estômago" |
| Palavra | Metonímia | troca por relação de contiguidade (parte/todo, autor/obra, continente/conteúdo, marca/produto) | "Li Machado"; "bebeu um copo" |
| Palavra | Catacrese | metáfora cristalizada por falta de termo próprio | "pé da mesa" |
| Palavra | Sinestesia | mistura de sentidos | "voz doce" |
| Pensamento | Hipérbole | exagero intencional | "chorei rios de lágrimas" |
| Pensamento | Antítese | oposição de ideias | "riso e choro" |
| Pensamento | Paradoxo | ideias opostas no mesmo referente, aparentemente absurdo | "o que aconteceu ainda está por vir" |
| Pensamento | Eufemismo / ironia / prosopopeia | suavizar / dizer o contrário / dar traços humanos a seres inanimados | "partiu desta para melhor"; "o rio é nosso avô" |
| Sintaxe | Anáfora | repetição de palavra/expressão no início de versos ou frases | "Quem me dera, ao menos uma vez" (repetido) |
| Sintaxe | Elipse / zeugma / polissíndeto / assíndeto | omissão / omissão de termo já dito / repetição de conectivo / ausência de conectivo | "e... e... e..." |
| Som | Aliteração / assonância / onomatopeia | repetição de consoantes / vogais / imitação de sons | "tique-taque" |
Outras figuras
| Figura | Mecanismo | Exemplo |
|---|---|---|
| Perífrase / antonomásia | expressão no lugar do nome | "o Rei do Futebol" (Pelé); "a cidade maravilhosa" |
| Personificação (prosopopeia) | traços humanos a seres inanimados | "A rodovia engoliu o caminhão" |
| Apóstrofe | interpelação enfática (vocativo) | "Ó mar salgado, quanto do teu sal…" |
| Gradação (clímax) | sequência em intensidade crescente/decrescente | "um grito, um urro, um estrondo" |
| Pleonasmo | repetição de ideia para ênfase (o vicioso é falha: subir para cima) | "Vi com meus próprios olhos" |
| Hipérbato / inversão | ordem inversa dos termos | "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas…" |
| Anacoluto | termo solto, quebra da estrutura | "Eu, parece que tudo me cansa" |
| Silepse | concordância com a ideia (gênero, número, pessoa) | "A gente chegou cansados" |
| Polissíndeto × assíndeto | repetição × ausência de conectivos | "e corre e grita e chora" × "Vim, vi, venci" |
| Quiasmo | cruzamento de termos (AB/BA) | "Tinha uma pedra no meio do caminho / no meio do caminho tinha uma pedra" |
| Ironia | dizer o contrário do que se pensa | "Que beleza: perdemos o prazo" |
| Eufemismo × disfemismo | suaviza × agrava | "descansou" × "bateu as botas" |
| Paronomásia | palavras de som parecido | "Quem casa quer casa" |
Metáfora × comparação × metonímia (o par que mais cai)
- Comparação: tem conectivo explícito (como, tal qual). Metáfora: sem conectivo, identificação direta.
- Metonímia: troca por relação objetiva (autor/obra, continente/conteúdo — bebeu um copo, parte/todo — mil cabeças de gado, marca/produto, causa/efeito, concreto/abstrato — o coração pelo sentimento, lugar/produto — um porto).
Pontos-chave
- Comparação × metáfora: só há comparação com conectivo comparativo; "desejos já maduros" (desejos = frutos) é metáfora.
- Metáfora × metonímia: metáfora = semelhança; metonímia = contiguidade real (uma coisa está ligada à outra). "Já fui barco, fui navio" (eu = barco) é metáfora.
- Qualificar algo por traço de outra coisa ("humanidade zumbi") é metáfora, não metonímia.
- Nome próprio ("o Rio Doce, que chamamos de Watu") não é figura: é nomeação na língua do povo.
- Hipérbole exige exagero; afirmação comum ("é preciso ampliar o conjunto dos que debatem") não é hipérbole.
- Anáfora (figura) ≠ anáfora (coesão referencial, retomada por pronome).
Como o Cebraspe cobra
- "Identifica-se metonímia em 'Já fui barco, fui navio'": errado — é metáfora.
- "'desejos já maduros' é exemplo de comparação": errado — não há conectivo; é metáfora.
- "Identifica-se hipérbole" em período sem exagero: errado.
- "A repetição de 'Quem me dera, ao menos uma vez' caracteriza anáfora": certo.
- "'o que aconteceu ainda está por vir' / 'o futuro não é mais como era antigamente' são paradoxos": certo.
- O detalhe que torna o item errado: nome da figura trocado (metonímia × metáfora × comparação) ou figura atribuída a trecho literal/denotativo.
Revisão rápida
- Comparação = com "como"; metáfora = sem conectivo.
- Metonímia = contiguidade (autor/obra, parte/todo, continente/conteúdo).
- Hipérbole = exagero; eufemismo = suavização.
- Paradoxo = contradição no mesmo referente; antítese = ideias opostas lado a lado.
- Anáfora = repetição no início de versos/frases.
- Prosopopeia = traços humanos a seres não humanos.
- Nome próprio não é figura.
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Flashcards de Figuras de linguagem
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Comparação × metáfora × metonímia: como distinguir?
Comparação: semelhança explícita, com conectivo (como, tal qual). Metáfora: semelhança implícita, sem conectivo ("desejos já maduros", "Já fui barco", "humanidade zumbi"). Metonímia: contiguidade real (autor/obra, parte/todo, continente/conteúdo). Pegadinha: chamar metáfora de metonímia ou de comparação; nome próprio ("chamamos de Watu") não é metáfora.
- Revelar resposta
O que caracteriza hipérbole — e quando o item erra ao apontá-la?
Hipérbole = exagero intencional ("chorei rios de lágrimas"). Afirmação comum ("é preciso ampliar o conjunto dos que debatem") ou metáfora sem exagero não é hipérbole. Pegadinha: "identifica-se hipérbole" em trecho literal → errado.
- Revelar resposta
Anáfora e paradoxo (figuras): definição e exemplo.
Anáfora: repetição de palavra/expressão no início de versos ou frases ("Quem me dera, ao menos uma vez" repetido). Paradoxo: ideias contraditórias no mesmo referente, aparentemente absurdo ("o que aconteceu ainda está por vir"; "o futuro não é mais como era antigamente"). Não confundir anáfora-figura com anáfora-coesão (retomada).
Questões de Figuras de linguagem
Questão 1 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha
Na frase “A cidade dormia tranquila sob a chuva”, ocorre a figura de linguagem denominada:
- A)
metonímia.
- B)
hipérbole.
- C)
personificação.
- D)
antítese.
- E)
eufemismo.
Revelar gabarito
Gabarito: letra C
Atribuir a um ser inanimado (a cidade) uma ação humana (dormir tranquila) é personificação, ou prosopopeia. Haveria metonímia (A) se “cidade” substituísse “moradores” sem a imagem do sono. Hipérbole (B) é exagero, antítese (D) é oposição de ideias, e eufemismo (E) suaviza uma expressão.
- A)
Questão 2 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha
Dona Lurdes chegou ao balcão às sete e meia, meia hora antes de a repartição abrir. Trazia numa sacola plástica todos os papéis que juntara em quarenta anos de trabalho: carteiras, recibos, um contracheque amarelado. Queria a aposentadoria e não confiava em computadores. O servidor que a atendeu poderia ter dito que tudo se resolvia pelo aplicativo; preferiu sentar-se ao lado dela e abrir, um a um, os documentos. Saíram de lá, os dois, com o pedido protocolado e uma lição que nenhum treinamento ensina: atender bem é, antes de tudo, não ter pressa com quem esperou a vida inteira.
Texto autoral para fins didáticos.
No trecho “não ter pressa com quem esperou a vida inteira”, a expressão “esperou a vida inteira” é empregada em sentido:
- A)
literal, indicando que Dona Lurdes ficou na fila da repartição desde a juventude.
- B)
literal, referindo-se à meia hora de espera antes da abertura.
- C)
figurado, sugerindo que Dona Lurdes nunca trabalhou.
- D)
literal, indicando o tempo de espera pela resposta do aplicativo.
- E)
figurado, sugerindo a longa trajetória de trabalho de Dona Lurdes até chegar à aposentadoria.
Revelar gabarito
Gabarito: letra E
A expressão é hiperbólica e figurada: remete aos “quarenta anos de trabalho” que antecedem o pedido de aposentadoria. Ela não esperou literalmente a vida toda na repartição (A), e a meia hora (B) é pequena demais para a expressão. Dona Lurdes trabalhou, o que exclui (C), e ela não usou o aplicativo (D).
- A)
Questão 3 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha
Há quem veja na tecnologia a solução definitiva para a burocracia. Formulários eletrônicos, assinaturas digitais e atendimentos por aplicativo de fato encurtaram filas e reduziram o papel nas repartições. Seria ingênuo, contudo, supor que a máquina resolve sozinha o que é, no fundo, um problema de organização. Um processo mal desenhado continua lento, ainda que tramite em tela; uma exigência inútil continua inútil, mesmo quando pedida por e-mail. Digitalizar o atraso é apenas torná-lo mais rápido de reproduzir. A verdadeira modernização começa antes do computador: na pergunta, feita com honestidade, sobre por que cada etapa existe.
Texto autoral para fins didáticos.
No período “Digitalizar o atraso é apenas torná-lo mais rápido de reproduzir”, o autor:
- A)
elogia a rapidez dos sistemas eletrônicos.
- B)
defende que o atraso seja digitalizado o quanto antes.
- C)
afirma, em sentido literal, que os computadores são lentos.
- D)
sugere que a digitalização elimina o atraso.
- E)
critica, com ironia, a transposição de processos ruins para o meio digital, que apenas espalha a ineficiência com mais velocidade.
Revelar gabarito
Gabarito: letra E
A frase usa a ironia: a “vantagem” da rapidez se torna crítica, porque o que se reproduz mais rápido é o próprio atraso. Isso retoma a ideia de que “um processo mal desenhado continua lento, ainda que tramite em tela”. As leituras de elogio ou defesa (A, B, D) invertem o sentido, e (C) o toma ao pé da letra.
- A)
Questão 4 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha
Na estrada que liga a cidade ao litoral, há um posto da polícia rodoviária que conheço desde menino. Meu pai parava ali para perguntar sobre a serra, e o agente, sempre o mesmo, respondia sem pressa, apontando no mapa os trechos de neblina. Hoje os celulares avisam tudo, e ninguém mais desce do carro para perguntar. Ainda assim, quando passo por lá, reduzo a velocidade por hábito, como quem cumprimenta um velho conhecido que já não está.
Texto autoral para fins didáticos.
No trecho “como quem cumprimenta um velho conhecido que já não está”, há a figura de linguagem denominada:
- A)
hipérbole.
- B)
eufemismo.
- C)
antítese.
- D)
metonímia.
- E)
comparação.
Revelar gabarito
Gabarito: letra E
O conectivo “como” aproxima explicitamente dois termos (reduzir a velocidade e cumprimentar alguém): é comparação, ou símile. Na metáfora, a aproximação é feita sem conectivo. Não há exagero (A), suavização (B) nem oposição de ideias (C).
- A)
Questão 5 · Agente Administrativo PRF · Múltipla escolha
Quem entra hoje em uma repartição pública raramente vê as pilhas de processos que, há algumas décadas, ocupavam mesas e corredores. A digitalização mudou a paisagem, mas não eliminou o trabalho de organizar. Um documento eletrônico mal classificado se perde com a mesma facilidade de uma folha esquecida em uma gaveta — com a diferença de que ninguém tropeça nele. Por isso, os arquivistas insistem em que tecnologia sem método apenas troca a desordem visível pela invisível. Sistemas modernos ajudam a registrar, localizar e controlar prazos, desde que alguém tenha decidido antes o que guardar, por quanto tempo e por quê. A pergunta, portanto, continua a mesma de sempre: não é onde guardar, mas como encontrar.
Texto autoral para fins didáticos.
No trecho “tecnologia sem método apenas troca a desordem visível pela invisível”, a oposição entre “visível” e “invisível” constitui:
- A)
hipérbole.
- B)
metonímia.
- C)
eufemismo.
- D)
antítese.
- E)
pleonasmo.
Revelar gabarito
Gabarito: letra D
A aproximação de termos de sentido oposto (visível × invisível) é antítese. Hipérbole é exagero (A); metonímia, troca de um termo por outro com relação de proximidade (B); eufemismo, suavização (C); pleonasmo, redundância (E).
- A)