Prova Cebraspe 2025 · Papiloscopista Policial Federal

Prova PF 2025 (Papiloscopista) — Identificação de pessoas para além da solução de crimes

26 linhas · nota estimada 20,00 de 20,00 · discursiva de Agente PF, Escrivão PF, Papiloscopista PF, Polícia Penal Federal

Tema

Profissionais das áreas da saúde e da assistência social participarão de uma nova etapa da Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas. A iniciativa alcança pessoas acolhidas em hospitais e entidades de longa permanência cujas identidades são desconhecidas. O primeiro passo do protocolo de identificação de pessoa sem identidade conhecida é a coleta de impressões digitais e fotografias. Uma equipe especializada do Sistema Único de Saúde (SUS) ou do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é acionada para os registros. Essas informações são confrontadas com os bancos de dados civis estaduais, distrital e nacional. Se a identidade não for confirmada, o próximo passo é a coleta do material genético da pessoa acolhida. As amostras são analisadas e confrontadas com bancos de dados disponíveis. Em agosto de 2024, teve início a primeira fase da mobilização, dedicada à coleta de amostras de DNA de familiares de pessoas desaparecidas. A ação ocorreu em 300 pontos de coleta espalhados pelo país. Agora, entra em curso a ação para identificar pessoas vivas com identidades desconhecidas que estejam acolhidas em instituições de saúde e assistência social. A terceira e última etapa, prevista para ocorrer ainda em 2025, terá como foco a pesquisa de impressões digitais de pessoas falecidas não identificadas.

Internet: <agenciabrasil.ebc.com.br> (com adaptações).

Segundo a INTERPOL, desastres podem ser classificados como fechados, quando o número de mortos é conhecido e o grupo é de fácil identificação, como desastres aéreos; ou abertos, quando eventos inesperados causam a morte de um número desconhecido de indivíduos, como é o caso do rompimento da barragem de Brumadinho, o que torna o desafio da identificação das vítimas ainda mais complexo.

O rompimento da barragem de Brumadinho ocorreu no dia 25 de janeiro de 2019, aproximadamente ao meio-dia. Esse evento é considerado o maior acidente de trabalho e um dos maiores desastres ambientais do Brasil. A referida barragem de rejeitos de mineração, classificada como de baixo risco e de alto potencial de danos, localizava-se no ribeirão Ferro-Carvão, na região do Córrego do Feijão, no município de Brumadinho, a 65 km de Belo Horizonte, Minas Gerais. Esse desastre de grandes proporções despejou, de uma só vez, 12 milhões de metros quadrados de rejeito de mineração, afetando inicialmente uma área de 290 hectares e vitimando fatalmente 270 pessoas, entre funcionários da empresa responsável pela administração da barragem, moradores da região e turistas. Dada a dimensão do desastre, para o processo de identificação das vítimas, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais contou com o apoio da Polícia Civil do Distrito Federal e da Polícia Federal.

Marco Antonio de Souza et al. Identificação de vítimas de desastre pelas impressões digitais: o rompimento da barragem de Brumadinho. In: Revista Brasileira de Ciências Policiais, Brasília, jan.-abr./2022. Internet: <dspace.mj.gov.br> (com adaptações).

Considerando que os textos apresentados têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo a respeito do seguinte tema.

A IDENTIFICAÇÃO DE PESSOAS PARA ALÉM DA SOLUÇÃO DE CRIMES

Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos:

  1. contribuição da identificação de pessoas para a garantia dos direitos humanos em casos de desaparecimento
  2. contribuição da identificação de pessoas para a garantia da dignidade humana em contextos de grandes desastres e acidentes

Plano do texto

  • Tese: a identificação humana vai além do crime: devolve o nome a quem o perdeu e protege direitos de desaparecidos e a dignidade das vítimas de desastres.
  • Aspecto 1 (desaparecimento-direitos-humanos): confronto de digitais, fotos e DNA com bancos civis e o Banco Nacional de Perfis Genéticos; nome, documentos e direitos; direito à verdade; Lei 13.812/2019.
  • Aspecto 2 (desastres-dignidade): Brumadinho, 270 vítimas; protocolo da Interpol (digitais, arcada dentária, DNA); luto, ritos, certidão de óbito e efeitos civis.
  • Conclusão: retomar a tese e propor bancos integrados, coleta junto a familiares e valorização da papiloscopia.

Redação-modelo comentada

  • abc Tese
  • abc Conectivo
  • abc Repertório (dado, lei, exemplo)
  • abc Proposta

Associada quase sempre à descoberta de autores de crimes, a identificação humana tem alcance maior: é ela que devolve um nome a quem o perdeu. Assim, a papiloscopia e a genética forense também servem à proteção dos direitos humanos de desaparecidos e à dignidade das vítimas de grandes desastres.

Introdução

Desfaz a associação exclusiva com o crime, como pede o tema, e anuncia os dois aspectos na ordem do comando.

Em primeiro lugar, o desaparecimento de uma pessoa viola direitos de quem some e de quem fica. Ao confrontar impressões digitais, fotografias e perfis genéticos com os bancos civis e com o Banco Nacional de Perfis Genéticos, o Estado reconhece pacientes sem identidade acolhidos em hospitais e abrigos e lhes devolve o nome, os documentos e o acesso a direitos básicos. Para as famílias, a resposta assegura o direito à verdade, objetivo também da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, instituída pela Lei 13.812/2019.

Desenvolvimento · aspecto 1

Mostra os dois lados do desaparecimento (a pessoa e a família), explica o método de identificação e fecha com a política pública que o ampara.

  • Banco Nacional de Perfis Genéticos: Decreto 7.950/2013.

Além disso, em desastres de grandes proporções, a identificação preserva a dignidade de quem morreu. No rompimento da barragem de Brumadinho, que vitimou 270 pessoas, peritos estaduais e federais seguiram o protocolo de identificação de vítimas da Interpol e usaram impressões digitais, arcada dentária e DNA para dar nome a cada corpo. Sem isso, as famílias não poderiam realizar o luto e os ritos de despedida nem obter a certidão de óbito, necessária para pensões, heranças e indenizações.

Desenvolvimento · aspecto 2

Usa o caso dos motivadores como exemplo, sem copiá-lo, cita os identificadores primários e mostra os efeitos humanos e civis da identificação.

  • protocolo de identificação de vítimas da Interpol: DVI (Disaster Victim Identification): digitais, odontologia e DNA são os identificadores primários.

Portanto, identificar pessoas é também um serviço de cidadania. Cabe ao Estado integrar os bancos de dados, ampliar a coleta de material genético de familiares de desaparecidos e valorizar os papiloscopistas, para que ninguém permaneça sem nome e nenhuma família fique sem resposta.

Conclusão

Retoma a tese em uma frase e propõe medidas concretas, ligadas ao cargo, sem argumento novo.

Espelho de correção

Como a banca pontuaria esta redação-modelo.

  • 1Apresentação e estrutura textual1,00 / 1,00

    Introdução, um parágrafo por aspecto na ordem do comando e conclusão; parágrafos bem marcados.

  • 2.1Desaparecimento e direitos humanos9,50 / 9,50

    Conceito 3 de 3Desenvolveu contribuição da identificação de pessoas para a garantia dos direitos humanos em casos de desaparecimento, articulando com o tema e os demais aspectos, com exemplos.

    Explica como o confronto de digitais e DNA devolve identidade e direitos e assegura às famílias o direito à verdade, com a Lei 13.812/2019.

  • 2.2Dignidade em desastres e acidentes9,50 / 9,50

    Conceito 3 de 3Desenvolveu contribuição da identificação de pessoas para a garantia da dignidade humana em contextos de grandes desastres e acidentes, articulando com o tema e os demais aspectos, com exemplos.

    Relaciona a identificação de vítimas de Brumadinho à dignidade: luto, ritos e certidão de óbito com seus efeitos civis.

  • Nota de conteúdo20,00
  • Erros de língua0
  • Linhas26
  • Nota final20,00

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